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NOME: GUARDIÕES DA GALÁXIA VOL. 2

ROTEIRO: JAMES GUNN
DIRETOR: JAMES GUNN

ELENCO: CHRIS PRATT, ZOE SALDANA, DAVE BAUTISTA, BRADLEY COOPER, VIN DIESEL, MICHEL ROOKER, KURT RUSSELL

GÊNERO: AÇÃO
ANO DE LANÇAMENTO: 2017

 

Sequencia peca pelo excesso de piadas e mostra o quanto a franquia é superestimada

 

Em 2008 surgiu o Universo Cinematográfico Marvel, um audacioso projeto que visava criar no cinema o que a editora havia feito nos quadrinhos ao longo dos anos.

Tudo começou com Homem de Ferro, que até então era desconhecido do grande público. O filme surpreendeu, pois possuía um bom roteiro, ação precisa e o carisma inegável de Robert Downey jr.

Após isso, outros filmes vieram, apresentando outros personagens e amarrando as tramas, que culminaram com o excelente Os Vingadores em 2012.

Em 2014 a Marvel arriscou mais uma vez, desta vez com um filme dos Guardiões da Galáxia. Uma equipe que seguramente digo que fazia parte do segundo ou até terceiro escalão da editora.

O que esperar de um filme que tem uma árvore falante e um guaxinim perito em combate?

Apesar de tudo isso, a Marvel deu um tiro certeiro pois o filme foi um sucesso de crítica e público, transformando os Guardiões da Galáxia em um tremendo fenômeno mundial, deixando a certeza de uma continuação.

Guardiões da Galáxia Vol. 2 estreou dia 27 de abril aqui no Brasil e ao contrário do que muitos dizem, estava longe de ser despretensiosa. Novamente a equipe liderada pelo Senhor das Estrelas (Chris Pratt) fez uma bilheteria invejável já em seu primeiro fim de semana, enchendo os olhos do público e fazendo-os rir durante praticamente todos os 137 minutos de duração.

Mas será que é só isso que vale?

Apenas ontem, dia 07 de maio é que realmente consegui assistir o longa e assim como no primeiro filme, saí do cinema decepcionado. Não no sentido do filme ser de má qualidade, mas sim por se tratar de uma produção que apenas apela para uma formula que deu certo para tapar o vazio de seus personagens e de sua trama.

Sou um forte defensor do “ir ao cinema para se divertir” e isso funciona de fato, mas em alguns casos, como em um longa de ação, assistir a um filme apenas com o intuito de dar risada em todo o tempo de exibição acaba se tornando algo bobo e sem sentido.

Guardiões da Galáxia Vol. 2 começa com um flashback onde os pais de Peter Quill (o Senhor das Estrelas) estão em um momento feliz de casal apaixonado, onde juras de amor são ditas e caricias são trocadas. Após isso os Guardiões da Galáxia sob contrato da Alta Sacerdotiza Ayesha, enfrentam um monstro gigantesco em uma estação espacial.

A batalha é praticamente toda deixada de lado para que o espectador possa se “encantar” com o bebê Groot, que fica puto quando Drax quebra a caixa de som onde ele ouvia música ou apenas corre atrás de um bichinho que aparece por alí.

Não quero falar muito sobre a trama para não estragar a experiência de quem ainda não assistiu, mas o que posso dizer é que a franquia Guardiões da Galáxia se sustenta unicamente pelo excesso de piadas e o visual deslumbrante que apresenta.

Sério, eu apertaria a mão de cada pessoa envolvida com a direção de arte desse filme.

Quando assisti ao primeiro filme, fui sem saber o que encontraria e apesar de ter ficado maravilhado com todas aquelas cores e conceitos do “cosmo Marvel”, o exagero de piadas e principalmente a dancinha que o Senhor das Estrelas faz diante de Ronan “O Conquistador”, no clímax da batalha me fez torcer o nariz.

Juro que fui assistir à continuação de coração aberto, querendo curtir a produção e apesar de ter sim momentos bons (a ação), mais uma vez a quantidade excessiva de humor estragou a experiência de um modo geral, pois o filme fica cansativo e parece que Guardiões da Galáxia tem a necessidade de ser engraçado o tempo todo e em todos os momentos.

A sequencia traz dramas familiares interessantes, tanto no reencontro de Peter Quill com seu pai Ego (Kurt Russell), quanto no conflito entre Gamora (Zoe Saldana) e Nebulosa (Karen Gillan), porem não os desenvolve de forma adequada. Em muitos momentos que o filme poderia ganhar a atenção do espectador para um assunto delicado, como a mágoa que Nebulosa sente em relação ao tratamento dado a ela por seu pai Thanos, tudo logo vira festa com alguma piadinha, seja por palavras ou mesmo uma ação.

Não quero parecer ranzinza, mas lembra em Doutor Estranho, quando a capa do mago fica cutucando seu nariz logo após a morte da Anciã? É tipo isso.

Fora isso, o filme apresenta um número enorme de personagens vazios e que em momento nenhum são desenvolvidos, onde Drax é o cara que apenas ri o tempo todo, Gamora é a introvertida, o Senhor das Estrelas é o piadista sem graça, Rocky o cara desbocado e bebê Groot, apenas serve para dizer o próprio nome (em um tipo de código entendível no melhor estilo R2D2) e arrancar “ooowwnns” dos presentes na sessão.

A presença de Mantis (Pom Klementieff) de certo modo traz certa leveza inocente para o humor presente no filme, sendo um dos grandes pontos altos de todo o longa, assim como os veteranos Sylvester Stallone (Stakar Ogord) e o já mencionado Kurt Russel, que pareceram muito à vontade, fazendo parte de todo esse universo colorido.

Yondu, personagem de Michael Rooker ganha grande destaque e digo honestamente que para mim é o melhor personagem de todo o filme.

O Universo Cinematográfico Marvel e principalmente Guardiões da Galáxia não foi feito para ser dramático, mas sim algo leve e divertido, porém, acredito que construir uma franquia de ação apenas baseada no humor, crie algo vazio e extremamente descartável, pois logo quase ninguém se lembrará da trama de GG 2.

Respeito muito quem curte a franquia e acho que o caminho é esse, pois nem todo mundo vai gostar do que gosto e vice versa… Fiz um esforço tremendo para tentar entender a razão do hype gigantesco criado em cima desse filme, mas novamente, assim como no primeiro, a formula não funcionou.

São nove anos de UCM e o que fez Homem de Ferro ser esse sucesso todo, foi justamente o equilíbrio inteligente entre ação, drama e humor.

Muita gente diz que Guardiões da Galáxia é o melhor filme de toda a iniciativa, mas cá entre nós, para chegar na consistência geral de um Capitão América: O Soldado Invernal, GG precisa malhar muito.

 

Vale: 3 brindes

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