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NOME: O CASEIRO

ROTEIRO: JULIO SANTI E JOÃO SEGALL
DIRETOR: JULIO SANTI

PRODUÇÃO: RITA BUZZAR
CO-PRODUÇÃO: NEXUS CINEMA E VÍDEO, ORION PICTURES E URANO FILMS
DISTRIBUIDORA: ORION PICTURES, EUROPA FILMES E SPCINE

ELENCO: BRUNO GARCIA, LEOPOLDO PACHECO E DENISE WEINBERG

GÊNERO: SUSPENSE / TERROR
ANO DE LANÇAMENTO: 2016



Vi o trailer do filme O Caseiro e confesso que me interessei de cara pois não é todo dia que vemos o cinema brasileiro apostando no gênero do horror.

Em um cenário cinematográfico que aposta tanto em comédias sem sentido ou em filmes de youtubers, ver um filme numa pegada mais pesada faz brilhar os olhos.
Pena que esse brilho não dure tanto tempo.

Bruno Garcia, ator conhecido das novelas globais no horário das 19h ou de filmes cômicos, interpreta Davi Carvalho. Um professor de psicologia que ficou famoso por escrever um livro que explica as aparições sobrenaturais através da psicanálise.

Ao caminhar em direção a saída da faculdade ele é abordado por Renata (Malu Rodrigues), uma aluna que estava presente em sua aula. Ela diz ao professor que sua irmã pequena está sendo de alguma forma assombrada pelo fantasma do caseiro da família, que havia se suicidado muitos anos antes.

Então Davi separa o fim de semana e vai até a casa da família, situada no interior. Lá é recebido por Rubens (Leopoldo Pacheco), suas filhas Gabi e Julia, um padre e Nora (Denise Weinberg), irmã de Rubens.

O professor logo é situado dos acontecimentos e então inicia sua investigação a cerca dos fatos.

Julia, a irmã mais nova é quem vem sendo atormentada pelo fantasma. Ela apresenta hematomas pelo corpo e muitas vezes é encontrada perambulando pela propriedade da família a noite.

O filme possui uma direção de arte que utiliza bem os elementos dos cenários, seja pela fotografia que prima por uma palheta de cores sóbria ou a utilização do lago existente na propriedade da família. Porém o filme peca e muito quando se trata do enredo ou a capacidade de “fisgar” o espectador.

Julio Santi se esforça para criar uma ambientação densa e que utilize o terror psicológico para tentar prender a atenção de quem assiste. O tempo todo o filme usa a figura do Caseiro para dizer: Esse é o bicho papão da trama, – procurando ser uma história racional e sem elementos clichês como sustos ou o uso de apelo visual para dar medo. Mas é justamente a ingenuidade no desenvolvimento do aspecto terror que faz com que o filme não brilhe.

O Caseiro simplesmente não assusta.

Por mais cético que o espectador seja, determinados filmes conseguem criar um ambiente tenso suficiente para dar medo. Seja pelo trabalho de direção feito no personagem onde a trama é centrada ou mesmo na utilização da câmera como ferramenta que leva o horror para fora da tela.

Além de tudo isso, é pertinente mencionar o quão fracas são as atuações no filme, não só das crianças, mas também dos personagens adultos e também da pobreza dos diálogos em si. As conversas não se prolongam e tudo é dito aos tropeços, sem dar ao espectador a imersão necessária para que ele se identifique ou torça para algum personagem.

O orçamento de apenas 60 mil reais pode ter prejudicado o filme nesse aspecto?

Talvez, pois com uma grana maior no bolso, a produção poderia ter investido em crianças que já soubessem atuar e isso daria um peso maior para o filme. Basta se lembrar de O Exorcísta, O Iluminado e outros filmes que utilizam crianças como elemento chave para que a trama ganhe corpo.

Mas a impressão que dá é que mesmo com o orçamento baixo, poderia haver um esforço maior por parte de todos, para que o filme se tornasse um produto de qualidade, sendo notável que muitas cenas foram aprovadas mesmo não estando totalmente satisfatórias. Um cuidado maior não faria mal, sério.

Digo honestamente que lamento o filme não ter a qualidade esperada, pois quando vi o trailer, senti potencial e de certa forma gostei de toda a ideia do filme. Porém, apenas vendo o longa de pouco mais de 1 hora é que pode-se ter a real noção do quanto o cinema nacional de gênero precisa crescer.

E não é nem querendo fazer comparações com as produções de Hollywood, mas fica claro que enquanto não houver um real interesse e investimento dos órgãos responsáveis, o cinema brasileiro vai continuar mostrando apenas favela, prostituição ou comédias que reduzem a racionalidade do espectador a zero.

Filmes como Carandiru, Tropa de Elite e afins, são excelentes produções, mas a impressão que dá é que os caras tem medo de investir em coisa nova, pois sabe que é isso que dá dinheiro no Brasil.

Porém, diante desse lamaçal em que se encontram as produções nacionais, é de se tirar o chapéu que um cineasta aposte as suas fichas em um gênero tão pouco explorado por aqui.

Fico na torcida para que outros se animem e façam mais filmes nessa pegada.

Se ficou curioso, assista o trailer aqui

Vale: 2 brindes

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