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Desde criança, sou um grande admirador da arte renascentista italiana.
Grandes mestres foram responsáveis por um período criativo fantástico, que envolvia pinturas, esculturas, gravuras e etc.

Dentre tantos artistas fenomenais, cito como meu preferido, Michelangelo Buonarroti, responsável pela famosa pintura localizada no teto da Capela Sistina e A Criação de Adão, ambos de 1512. Como também, as famosas esculturas em mármore branco, de Davi (1504) e Pietá (1499).

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Hoje, mais de 500 anos depois do movimento renascentista, as esculturas ainda são usadas como decoração de ambientes, mas, além disso, um número grande de apaixonados por essa arte tem procurado escolas especializadas, para que possam aprender a fazer suas próprias peças.

Eu, como designer, assim como colecionadores de action figures, gamers ou qualquer pessoa que seja ligada ao mundo da cultura pop, se não possui, sabe admirar as fantásticas esculturas baseadas nos personagens de seus filmes, séries ou games preferidos.

O material usado para a criação dessas peças é chamado de clay, ou trazendo para a nossa língua, argila.

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Po, mas argila é aquela coisa barrenta, que as pessoas usam para fazer vasos e tigelas, para depois assarem no forno.

Sim, mas não só isso.

 

Existem diversos tipos de clays/argilas profissionais, com durezas diferentes, que auxiliam o artista na hora de fazer detalhes mais delicados para uma finalidade profissional ou um trabalho mais maleável, com o objetivo de apenas praticar.

No Brasil, a marca mais popular, é a DIM CLAY e abaixo você confere os tipos de dureza das massas oferecidas pela marca:

CLAYS CINZA PARA ESCULTURA

SOFT: Mais maleável e ideal para peças grandes sem muitos detalhes pequenos ou finos, podendo ser trabalhado com as mãos sem dificuldades;

MEDIUM: Um pouco mais duro, já permitindo uma riqueza de detalhes maior, para ser trabalhado com as mãos e com “estecas”;

FIRM: Um clay mais duro para ser trabalhado com “estecas” que comporta um nível de detalhamento muito bom, podendo também ser trabalhado com as mãos;

EXTRA FIRM: Um clay bem mais duro para ser trabalhado com “estecas” que comporta um nível de detalhamento muito grande e ideal para ser derretido e despejado dentro de moldes de borracha de silicone, afim de fazer alterações em uma peça. Para ser trabalhado com as mãos, é necessário um soprador térmico, secador de cabelos doméstico ou forno para amolecer o clay;

HARD: A pedido de alguns clientes desenvolvi um clay mais duro ainda, tendo as mesmas propriedades e necessidades do clay EXTRA FIRM, sendo ideal para esculpir;

CLAYS MARRONS PARA ESCULTURA OU DESIGN INDUSTRIAL

CLAY C9: Uma versão mais moderna dos clays para design, baseada nos clays cinzas. Alisa como os clays para escultura, mas é seco e mais fácil de alisar do que os clays CS, CM e CA, sendo bem plástico e maleável. Fácil de manusear e raspar, e em questão de dureza está como o clay extra firme ou o CA;

CLAY C15: É bem parecido com o C9 só que uma versão mais dura, sendo o clay mais duro que temos no momento.

Fonte: https://www.dimclay.com/durezas.html

Cara, mas que diabos são estecas?

Estecas são as ferramentas usadas pelo escultor, para auxilia-lo na hora de alisar a massa e fazer detalhes delicados como: rugas, dobras de tecido ou as mechas do cabelo.

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Antes de começar de fato a dar vida à sua ideia, é necessário criar uma estrutura para o corpo da sua escultura.

Mas por qual motivo?

É simples. Um corpo não se sustenta sem um esqueleto forte. A sua escultura também não.
Para que você tenha firmeza e mais segurança para trabalhar, você deve criar uma espécie de esqueleto, usando arame de alumínio com espessura de 3 mm ou um arame de ferro, desde que você crie com ele uma estrutura forte, que dará sustentabilidade para a sua peça.

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Após fazer a estrutura com o arame, é hora de começar a adicionar a massa e ir modelando para que tome as formas desejadas.

É importante juntamente com o trabalho de esculpir, ser desenvolvido o estudo da anatomia humana ou animal, depende do seu objetivo.

Ah, mas precisa mesmo?

Com toda a certeza!

Sem o devido estudo de estrutura corporal, proporções e anatomia geral, dificilmente você terá um resultado satisfatório no final.

Detalhes básicos como o tamanho da cabeça, tamanho das mãos e pés, largura do quadril ou mesmo uma ideia de movimento do corpo, se tornarão um verdadeiro pesadelo se você não tiver uma boa noção de anatomia.

No Brasil, existe uma grande gama de artistas espetaculares, mas a grande referencia quando o assunto é escultura, é o cearense Alex Oliver.

Dono de um estilo único e realismo impressionante em suas peças, Alex chamou a atenção de muita gente e para a loucura dos gamers, chegou a trabalhar por um período na Blizzard Entertainment (World of Warcraft/Diablo/Starcraft).

Conheça mais sobre o trabalho do artista em: https://www.facebook.com/alex.oliver.566

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Esculpir, assim como qualquer outra prática artística, exige muita dedicação, paciência e empenho verdadeiro.

Mesmo que você não tenha o objetivo de um dia trabalhar nesse ramo, se gosta e tem vontade de aprender, invista um pouco do seu tempo e mesmo dinheiro, na pratica dessa arte.

No Youtube existe um número bem grande de vídeos explicativos ou mesmo que apenas mostram escultores trabalhando. Um material que serve muito bem para se ter pelo menos uma noção de como tudo é feito.

Entre tantos canais, eu sugiro o Claytrix, que é um estúdio brasileiro localizado em Belo Horizonte. Lá existem vários vídeos que tiram dúvidas referentes a muitos pontos, tais como: tipos de clay, materiais básicos e etc.

Mas além do clay, outros materiais podem ser usados para a criação de esculturas. Materiais mais baratos ou mesmo para um estudo simples.

Entre eles, cito dois: Durepoxi (ou epoxi) e o biscuit.

Achou que Durepoxi servisse apenas para vedar coisas quebradas na sua casa?

Não mesmo!

A massa é uma opção pratica e barata para quem tem interesse em aprender a arte de esculpir. Fácil de achar em qualquer casa de materiais para construção, você pode usa-la para estudar e ir se aperfeiçoando antes de chegar aos materiais mais profissionais.

Biscuit, todos devem conhecer, por um dia ter feito artesanato na escola ou ainda, os noivinhos de casamento.

Muita gente acha brega e em alguns casos, os trabalhos deixam a desejar, mas outros são realmente muito bem feitos e valem uma conferida.

Porém nem só para esse tipo de fim, o biscuit, pode ser usado. Assim como o epoxi, a massa de porcelana fria, como é conhecido, é uma excelente opção para iniciar seus estudos.

O único ponto negativo do biscuit, é a secagem rápida. A massa tem um processo quimico de evaporação quando está em contato com o ar e isso faz com que seque rapidamente, assim, impossibilitando a adição de muitos detalhes ou mesmo um manuseio longo.

Nunca mexi com clay ou epoxi, mas há algum tempo me aventurei a criar uma figura do Motoqueiro Fantasma, usando biscuit.

11136909_856163721110768_87892022_nÉ isso!

Se você tem vontade e quer aprender a fazer suas esculturas, vá em frente. Compre o material, veja vídeos e estude muito.

Não pense logo de cara que o material é que fará a diferença. Independente se você escolher clay, epoxi ou biscuit, o grande diferencial, será a sua vontade e dedicação.

Abaixo estão os links de três escolas que ministram aulas de escultura:

http://www.melies.com.br

http://www.rfstudiofx.com.br

http://www.ics.art.br/

Bons estudos!

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