Sou um grande fã de quadrinhos…

Tenho uma coleção básica que contém cerca de 300 unidades. Não é muito, mas posso dizer que é um dos meus orgulhos, como consumidor e amante de cultura pop.

Ao longo dos anos fomos brindados com verdadeiras obras primas da nona arte, bem como, agredidos com publicações muitas vezes medíocres (leia anos 90).

Bom, mas como fã, tenho aí na minha gama de ídolos, nomes como: Alan Moore, Neil Gaiman, Alex Ross e personagens icônicos, como: Hellboy, Morfeu, Coringa e tantos outros.

Aqui, listo em ordem decrescente, os oito quadrinhos que foram mais marcantes na minha formação como leitor. Não que os que ficaram de fora tenham menos importância, mas esses oito em questão são aqueles que de alguma forma, mudaram o meu modo de ler.

Acompanhe:

16028ª – 1602

Neil Gaiman / Andy Kubert

Publicada originalmente em oito edições (aqui a edição mencionada é a graphic novel de luxo, publicada pela editora Salvat), como o título indica, a história se passa no ano de 1602, em plena era vitoriana da Inglaterra.

Aqui, todos os principais personagens da Casa das Ideias são transportados e adaptados para o período citado.

Por ser inglês, Gaiman ficou extremamente a vontade para contar uma história coerente que de algum modo remete a seu próprio país.

É interessante ver como Nick Fury se torna Sir Nicholas Fury e atua como chefe de inteligência da Rainha Elizabeth, bem como o Dr. Stephen Strange (Dr. Estranho), se torna Sir Stephen Strange, sendo assim, o mestre em medicina do reino.

Outros personagens como os X-Men, Capitão América, Demolidor, Magneto, Quarteto Fantastico e o Homem Aranha, também dão as caras em caracterizações muito interessantes unidas pela genialidade de Neil Gaiman e a bela arte de Andy Kubert.

Se não leu, leia!



queda-de-murdock7ª – Demolidor – A Queda de Murdock

Frank Miller / David Mazzuchelli


Esse quadrinho foi o grande responsável por eu começar a curtir o Demolidor. Antes eu o achava um personagem sem graça, que não tinha lá grande destaque.

Mas aqui o cara foi escrito pelo mestre Frank Miller. Este que não tem frescuras quando o assunto é criar histórias sujas, que envolvam o submundo do crime, drogas e etc.

Matt Murdock (o Demolidor), vê sua vida destruída quando sua namorada Karen Page, vende sua identidade a um traficante, que posteriormente a vende para Wilson Fisk (o Rei do Crime).

Aí amigo… a coisa enlouquece.

Murdock se torna um homem desesperado, derrotado e perseguido, que encontra refugio nos cuidados de uma freira, que o roteiro indica ser sua mãe. Assim, pouco a pouco, o advogado cego de Hell’s Kitchen consegue se reerguer e voltar a fazer o que faz melhor.

Corra para ler, pois vale a pena.



Batman-Asilo-Arkham-Panini-Capa6ª – Batman – Asilo Arkham

Grant Morrison / Dave McKean


Aqui o buraco é mais embaixo…

Uma hq diferente das que estava habituado. Não só pela diagramação dos quadros, mas também pela arte abstrata feita por Dave McKean (o cara que ilustra as capas da série Sandman).

Na história, o Coringa mantém funcionários do Asilo Arkham, como reféns e faz um desafio, para que o Batman entre no lugar.

Não é um enredo longo e nem mesmo uma história agradável. A mente pensante de Morrison unida a arte maluca de McKean criou um verdadeiro pandemônio, onde a tensão está em cada página e a psicopatia do Coringa é tratada de forma doentia, até mesmo para ele.

Vemos o Crocodilo, Espantálho, Duas Caras e tantos outros vilões do universo do Morcego, agindo de forma brutal contra o herói, fazendo-o até mesmo sentir medo.

Aqui, o terror é o elemento chave.

Faça um grande favor e leia!



CAPA_PANINI5ª – V de Vingança

Alan Moore / David Lloyd


É válido dizer que conheci essa história através do filme de mesmo nome, estrelado por Hugo Weaving e Natalie Portman.


O enredo se passa na Inglaterra em 1997, num futuro pós apocalíptico, onde um homem tenta destruir o Estado através de ações diretas contra o mesmo.

Esse homem, conhecido apenas como V, possui muitas habilidades marciais, bem como no manejo de armas brancas e cultura, que após a guerra e degradação da sociedade, estava perdida.

V usa uma máscara estilizada do rosto de Guy Fawkes (leia sobre ele) e através de seu profundo conhecimento político e social, tenta impor sua ideologia anarquista, para que a população acorde de seu estado de transe e saiba levantar a voz contra o estado opressor.

Em contra partida à psique agressiva de V, surge a doce Evey. Uma adolescente que perdeu os pais na guerra e encontra no mascarado uma certa paz, mesmo que não concorde 100% com suas ações.

É importante dizer aqui, sem querer fazer comparações, que Natalie Portman atuou brilhantemente ao interpretar Evey.

Alan Moore escreveu essa história em um período que a Inglaterra vivia sobre um regime econômico neoliberal e mostrou na HQ, um governo extremamente fascista, que controla a mídia e mesmo o direito de ir e vir, dos cidadãos.

Leia!



image_gallery (1)4ª – Batman – A Piada Mortal

Alan Moore / Brian Bolland


Aqui a coisa fica séria.

Mais uma vez a mente brilhante de Alan Moore nos brinda com uma história onde a loucura de um homem, causa desespero em outros.

A Piada Mortal é curta, mas que em poucas páginas, mostra um Coringa louco, capaz de ferir profundamente a sanidade do mais controlado dos homens.

Ele invade a casa do comissário James Gordon e baleia sua filha Barbara (Batgirl), aleijando-a, posteriormente sequestrando os dois e levando para um parque de diversões abandonado.

Lá, o palhaço prende Gordon a um trilho e o faz assistir impotente às atrocidades que comete com Barbara.

Vale dizer que na HQ não mostra de forma explicita, mas que as imagens nos quadros remetem a um possível estupro. O que é ainda mais revoltante.

A Panini aproveitou o enorme hype gerado pelo Coringa de Heath Ledger no filme Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) e relançou essa HQ em 2009.

Na época, acostumado com hqs mais casuais, A Piada Mortal foi um grande choque de realidade, com uma história adulta, pesada e direta, como só Alan Moore sabe escrever.

Ainda não foi ler?!



hqs0023ª – Batman – O Cavaleiro das Trevas

Frank Miller


Escrita e desenhada por Frank Miller, O Cavaleiro das Trevas foi e ainda é um marco no gênero de quadrinhos.

Não só por apresentar uma história ricamente contada, mas por mostrar de uma forma madura, situações extremas de desespero e coragem.

Aqui, Bruce Wayne é um homem de meia idade, que há tempos pendurou seu uniforme e passou a viver como um cidadão comum.

Porém a criminalidade nunca abandonou Gotham City e por conta desse aumento na violência, ele vê a necessidade de voltar a agir como o vigilante mascarado.

Devido a esse hiato, o nome Batman se tornou uma espécie de lenda urbana e as pessoas mais jovens, não tem conhecimento de que essa figura realmente existiu. Até que ele reaparece, ainda brutal, mas sentindo o peso da idade a cada ação ou golpe tomado.

A psicopatia do Coringa é mais uma vez mostrada, quando ainda preso no Arkham, ele é convidado a dar uma entrevista num programa de talk show e no lugar, assassina todos os presentes.

Mas o grande trunfo da história é o confronto entre Batman e Superman.

O herói kriptoniano vai à Gotham a mando do presidente dos EUA, para convencer o Batman a deixar de agir. Como é esperado, o Morcego se recusa a receber tais ordens e então os dois entram em um conflito direto.

É uma história grande, contada de forma brilhante e apesar de não ser um profundo fã da arte de Miller, posso dizer que ela complementa toda a grandiosidade da obra.

Leia agora!



image_gallery2ª Watchmen

Alan Moore / Dave Gibbons


E mais uma vez o nome de Alan Moore, aparece na lista… Por que será?


A história de Watchmen se passa em plena Guerra Fria, no ano de 1985, quando Estados Unidos e União Soviética estavam a beira de uma Guerra Nuclear.

Essa trama envolve também um grupo de super heróis do passado e do futuro que se veem em conflitos psicológicos, éticos e também em meio ao assassinato de um ex companheiro. O Comediante.

A partir daí, boa parte do enredo se desenrola através do ponto de vista do narrador, que é o vigilante Rorschach.

Após a Lei Keene que proibiu a ação de vigilantes mascarados, Rorschach é o único que continua na ativa, com exceção do Comediante e do Dr. Manhattan, que são contratados do governo americano.

Rorschach passa a investigar esse assassinato, quando se depara com as mortes de outros ex vigilantes e começa a criar inúmeras teorias da conspiração, que envolvem o assassinato proposital nessas pessoas.

Alan Moore criou uma linguagem quase cinematográfica para Watchmen e sinceramente após lê-la, leva-se um tempo até conseguir ler quadrinhos habituais, novamente.

É obrigatório ler!



reino-do-amanha-capa-panini1ª – Reino do Amanhã

Mark Waid / Alex Ross

E finalmente no topo do pódio, está essa que para mim é a maior obra prima da nona arte. Reino do Amanhã, escrita de forma inspiradíssima por Mark Waid e ilustrada de forma não menos absurda, por Alex Ross.

No enredo, que se passa num futuro alternativo, a Liga da Justiça não existe mais e seus heróis estão ocultos. Em contra partida, novos heróis surgem para combater o crime, porém sem nenhuma ética civil, pondo a vida da população em risco, com a justificativa de que combatem o mau.

É aí que convencido pela Mulher Maravilha, o Superman retorna ao posto de onde nunca deveria ter saído. Porém, agora existe um conflito de ética onde é questionável se o modo honrado de agir do kriptoniano é realmente o mais eficaz naquele momento.

Leia mais sobre Reino do Amanhã aqui!


O caso é, que essa história é tão rica e tão grandiosa, que fica difícil não aplaudi-la depois de ler. Uma gama gigantesca de personagens em um tratamento de respeito dado pela dupla Waid/Ross.

Personagens que são verdadeiros deuses em poder, criaturas inalcançáveis que mesmo assim, demonstram uma humanidade ímpar.

Faça um favor e leia.

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